Empreendedores iniciantes em competições de startups: entre concursos de beleza e problematização co-criada
Postado em: Empreendedorismo

Journal of Business Venturing
Autores: Bastian, B. e Zucchella, A.
Ano de publicação: 2023


Sobre o artigo

O artigo se chama “Nascent entrepreneurs during start-up competitions: Between beauty contests and co-created problematization” e foi escrito por Bob Bastian e Antonella Zucchella.

Eles são pesquisadores da área de empreendedorismo e estudaram como os empreendedores iniciantes formulam problemas e soluções quando participam de competições de startups.

As competições de startups são eventos onde os empreendedores apresentam suas ideias de negócio para um público e um júri, que avaliam o potencial e a viabilidade das propostas.

Os autores do artigo queriam entender como esses eventos influenciam o processo de criação e desenvolvimento das startups.

Referencial teórico

Os autores usaram três conceitos principais: problematização, co-criação e competições de startups.

A problematização é o processo de identificar, definir e resolver problemas que são relevantes para os empreendedores e para a sociedade.

Os autores argumentam que a problematização é importante para o empreendedorismo porque estimula a criatividade, a inovação e o impacto social dos negócios.

A co-criação é o processo de envolver diferentes atores (como clientes, fornecedores, parceiros, investidores, etc.) na formulação e na solução dos problemas.

Os autores defendem que a co-criação é benéfica para o empreendedorismo porque permite trocar conhecimentos, recursos e perspectivas, além de gerar valor compartilhado.

As competições de startups são o contexto onde os autores realizaram a pesquisa. Eles explicam que as competições de startups são eventos populares no ecossistema empreendedor, mas que ainda são pouco estudados academicamente.

Eles também destacam que as competições de startups podem ter diferentes formatos e objetivos, e que isso pode afetar o comportamento e o aprendizado dos empreendedores.

Metodologia da pesquisa

Os autores usaram uma abordagem qualitativa e indutiva, ou seja, eles buscaram compreender os fenômenos a partir das percepções e das experiências dos participantes, sem testar hipóteses pré-definidas.

Eles entrevistaram 20 empreendedores iniciantes que participaram de duas competições de startups na Itália. Eles também observaram as apresentações e as interações dos empreendedores nos eventos.

Eles gravaram e transcreveram as entrevistas e as observações, e depois usaram um software para codificar e categorizar os dados.

Eles identificaram dois tipos de processos de formulação de problemas nas competições de startups: o concurso de beleza e a problematização co-criada.

Descobertas do artigo

Os autores apresentaram dois modelos contrastantes de formulação de problemas nas competições de startups: o concurso de beleza e a problematização co-criada.

O concurso de beleza é um modelo tradicional de competição de startups, onde os empreendedores se concentram principalmente em impressionar o público e o júri com suas ideias.

Nesse modelo, os empreendedores tendem a ter expectativas exageradas, metas desalinhadas e uso subutilizado dos recursos disponíveis. Eles também tendem a ignorar ou minimizar os problemas reais que enfrentam ou que seus clientes enfrentam.

Os autores criticam esse modelo porque ele não estimula a problematização e a co-criação, e pode levar a frustrações e desperdícios.

A problematização co-criada é um modelo alternativo de competição de startups, onde os empreendedores se envolvem em um processo colaborativo com outros atores (como clientes, mentores, acadêmicos, etc.) para definir e resolver problemas.

Nesse modelo, os empreendedores tendem a ter expectativas realistas, metas alinhadas e uso eficiente dos recursos disponíveis. Eles também tendem a reconhecer e explorar os problemas reais que enfrentam ou que seus clientes enfrentam.

Os autores elogiam esse modelo porque ele favorece a problematização e a co-criação, e pode levar a aprendizados e inovações.

Limitações do estudo

As limitações do estudo são as partes do artigo onde os autores reconhecem as fragilidades e as restrições da pesquisa. Neste caso, eles apontaram três limitações principais:

  • A pesquisa foi realizada em um contexto específico (Itália) e com uma amostra pequena (20 empreendedores), o que limita a generalização dos resultados para outros cenários e populações.
  • A pesquisa foi baseada em dados subjetivos (entrevistas e observações), o que pode introduzir vieses e distorções na interpretação dos fenômenos.
  • A pesquisa foi focada em dois modelos extremos de formulação de problemas (concurso de beleza e problematização co-criada), o que pode ignorar outras formas possíveis de participação nas competições de startups.

Conclusões do artigo

As conclusões do artigo são as partes onde os autores resumem as principais contribuições e implicações da pesquisa. Neste caso, eles destacaram três conclusões principais:

  • A pesquisa mostrou que as competições de startups podem influenciar o processo de formulação de problemas dos empreendedores iniciantes, e que existem dois modelos contrastantes de participação nesses eventos: o concurso de beleza e a problematização co-criada.
  • A pesquisa sugeriu que o modelo de problematização co-criada é mais adequado para o empreendedorismo do que o modelo de concurso de beleza, porque ele estimula a criatividade, a inovação e o impacto social dos negócios.
  • A pesquisa propôs que as competições de startups devem ser redesenhadas e transformadas em espaços de co-criação, onde os empreendedores possam interagir com outros atores (como clientes, mentores, acadêmicos, etc.) para definir e resolver problemas de forma colaborativa.

Na prática

Como profissionais de negócios, podemos usar as descobertas e as dicas desse artigo para melhorar nossa participação em competições de startups ou em outras situações que envolvam a formulação e a solução de problemas.

Algumas sugestões são:

  • Buscar feedbacks honestos e construtivos sobre nossas ideias, tanto de especialistas quanto de potenciais clientes.
  • Questionar nossas próprias suposições e premissas sobre o problema que queremos resolver e o valor que queremos entregar.
  • Explorar diferentes perspectivas e abordagens para o problema, buscando inspiração em outras áreas do conhecimento ou em outras experiências.
  • Colaborar com outros atores que possam contribuir com seus conhecimentos, recursos ou redes para o desenvolvimento da solução.
  • Aprender com os erros e os sucessos dos outros participantes, buscando entender o que funcionou ou não e por quê.
  • Adaptar nossa solução às mudanças do contexto e às demandas dos stakeholders, mantendo uma postura flexível e aberta a novas oportunidades.

Aqui vão algumas dicas de como os organizadores de eventos de start-up podem usar os resultados e aprendizados deste artigo:

  • Em vez de organizar competições de start-up baseadas apenas em apresentações e impressões, incentive os participantes a compartilharem seus problemas reais e a receberem feedbacks de especialistas e acadêmicos. Assim, você cria um ambiente de aprendizagem mútua e colaboração, onde todos podem se beneficiar das diferentes perspectivas e experiências.
  • Promova espaços de diálogo e confronto entre os empreendedores e os acadêmicos, onde eles possam discutir e questionar os problemas definidos e as soluções propostas. Isso pode gerar novos insights, desafiar o pensamento convencional e estimular a criatividade e a inovação.
  • Não se limite a premiar as ideias mais bonitas ou mais populares, mas sim aquelas que demonstram ter um potencial real de resolver problemas relevantes para a sociedade. Você pode usar critérios como viabilidade, impacto, originalidade e validação para avaliar as propostas dos participantes.
  • Acompanhe o desenvolvimento das start-ups após o evento e ofereça suporte contínuo para que elas possam implementar suas soluções e testar suas hipóteses. Você pode criar uma rede de mentores, investidores, parceiros e clientes potenciais para apoiar os empreendedores em suas jornadas.
  • Por fim, não se esqueça de aprender com as experiências dos eventos de start-up que você organiza ou participa. Busque sempre feedbacks, avaliações e sugestões de melhoria dos envolvidos e procure incorporar as lições aprendidas nas próximas edições.


Leia o artigo completo aqui.

Bastian, B., & Zucchella, A. (2023). Empreendedores iniciantes em competições de startups: entre concursos de beleza e problematização co-criada. Revista de Insights sobre Empreendedorismo, 20, e00391. https://doi.org/10.1016/j.jbvi.2023.e00391